segunda-feira, 29 de junho de 2009

E o "Nabucco" sifu!!

Camaradas! Ao que tudo indica o "Nabucco" sifu!!

29/06/2009 - 16h55

Acordo entre Rússia e Azerbaijão para gás aperta cerco à UE
Baku, 29 jun (Lusa) - A empresa russa Gazprom assinou nesta segunda-feira um contrato com a Companhia Pública de Petróleo do Azerbaijão (GNKAR) sobre o fornecimento de gás à Rússia, o que é visto como mais uma passo para inviabilizar a construção do gasoduto Nabucco.
Segundo as agências russas, "o documento, que fixa as condições fundamentais da aquisição de gás natural, foi assinado pelo diretor da Gazprom, Alexei Miller, e pelo dirigente da GNKAR, Rovnag Abdullaev, depois das conversações entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o seu homólogo azeri, Ilkham Aliev".
O contrato prevê o fornecimento de 500 milhões de metros cúbicos por ano a partir de 1° de janeiro de 2010, mas os fornecimentos deverão aumentar. "Planejamos, posteriormente, aumentar os fornecimentos de gás à medida que aumentarmos a extração de gás azeri", declarou o presidente Aliev. Segundo Aliev, o volume de extração de gás no Azerbaijão deverá subir de 27 bilhões de metros cúbicos em 2009 para 30 bilhões em 2010. "Hoje, lançamos uma boa base para a cooperação na esfera gasífera. Penso que será uma cooperação com muito êxito e mutuamente vantajosa", frisou.
A agência Ria-Novosti frisa que "até agora a Gazprom não comprava gás azeri". Segundo alguns analistas, este documento é mais uma das tentativas russas de neutralizar o projeto "Nabucco". Este gasoduto, que deverá ser financiado pela União Europeia, ligará a Ásia Central e a bacia do Mar Cáspio à Europa, ladeando o território russo.
Alguns analistas consideram que o acordo russo-azeri vem juntar-se ao interesse da Rússia em participar na construção do gasoduto Transsariano, que irá ligar a Nigéria à Europa através do deserto do Saara, como forma de controlar as fontes de fornecimento de gás à União Europeia. Durante a visita à Nigéria, realizada na semana passada, o presidente Medvedev declarou que a construção do Transsaariano "é um projeto interessante para a Rússia".
Porém, Boris Tumanov, analista do diário digital gazeta.ru, chama a atenção para as palavras de Alexei Miller, dirigente da Gazprom, durante a mesma visita."Tudo isso foi estragado por Alexei Miller, que, quase paralelamente ao presidente russo, preveniu a Europa das tentativas de diversificar as fontes de fornecimento de gás, porque, como ele explicou, isso pode deteriorar a sua segurança energética", considera o analista.
O analista defende que Moscou "simplesmente deseja controlar não só os recursos gasíferos turcomenos e azeris, mas também nigerianos". Os presidentes russo e azeri analisaram também o problema de Nagorno-Karabakh, enclave no território azeri com maioria da população armênia.Em 1989, Nagorno-Karabakh proclamou a independência em relação ao Azerbaijão, provocando uma longa guerra entre azeris e armênios. Em 1994, o conflito foi congelado, mas ainda não foi encontrada solução até hoje.
Comentários do General Orlov:
Mais uma importante vitória geopolítica da Mãe-Rússia. O país precisa conservar seu status de potência energética. Sobre os interesses russos na África, ilustrados na semana passada durante visita do presidente Medvedev ao continente, estão certos os africanos de cooperarem novamente com os russos, pois ao contrário dos países da União Européia, jamais a Rússia pilhou, saqueou ou retalhou o continente africano.
Tais fatos não devem ser esquecidos, mesmo nas relações comerciais.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quem mente mais sobre a Chechênia


A uma primeira vista muitas pessoas costumam comparar a presença de tropas russas na Chechênia com a invasão americana no Iraque, ou com qualquer outra intervenção colonialista ao estilo dos hoje "democráticos" e exemplares países da Europa Ocidental.
Mas é um sério engano! O Iraque foi invadido ilegalmente por um país estrangeiro, que ludibriou a todos com o único intuito de roubar o petróleo do Iraque. Na Chechênia, os russos lutam por sua integridade territorial, e contra um dos maiores focos de terrorismo internacional. Será muito extenso, mas entrarei em aspectos históricos e outros detalhes que não são noticiados na imprensa internacional (sempre anti-russa), muito menos no Kavkaz Center.

Vamos aos fatos: os muçulmanos não têm legitimidade alguma para intentar a independência daquela região do Norte do Cáucaso, outro povo (os kabardos) já vivia lá muito antes deles chegarem da Turquia, e os kabardos viviam sob a proteção do Tzar. Ainda no século XVI, o príncipe da Kabarda jurou lealdade ao Czar por duas vezes, em troca de proteção. Então, só no século XVIII chegaram os primeiros muçulmanos, liquidaram os Kabardos (que viviam às margens do rio Terek) e expulsaram os sobreviventes, para a região próxima que hoje leva o nome de Kabardino-Balkária. Mesmo assim, se o argumento é que os russos ao longo da história foram cruéis com os chechenos, por isso merecem que seu território seja livre, então será que todo o povo brasileiro devem abandonar o Brasil e devolver tudo para o que resta dos índios, povo que seus antepassados por séculos massacraram??

Aí, já há um dado a considerar: todas as 157 etnias que integram a Federação Russa (inclusive os eslavos) sempre sofreram (em todos os regimes), e se de fato, um extermínio fosse intentado única e exclusivamente contra os chechenos, ou se os russos fossem essas bestas-feras homicidas como a imprensa ocidental quer crer, não haveria hoje (mesmo depois de dois grandes conflitos recentes) mais de 1 milhão de chechenos vivendo no Cáucaso, nem 250.000 chechenos vivendo só em Moscou.

Antes mesmo da Perestroika, havia plena liberdade de fé e cultura para esse povo. Inclusive, a língua chechena, o ichkeri sempre foi ensinada juntamente com o russo em todas as escolas. Sobre o petróleo, este não é o âmago da questão. A quantia existente lá no Cáucaso é irrisória se comparada ao que há no Mar Cáspio ou na Sibéria. De fato, a questão central, que a região deve permanecer na Federação Russa, é que se esta se achar no direito de declarar a independência, as outras 88 regiões administrativas ou repúblicas autônomas farão o mesmo. Aí sim, será a realização do sonho que muitos no ocidente acalentam: o fim da Rússia. Tudo o que não fazia parte da Rússia, foi desmembrado em 1991.

Mesmo assim, nos termos da Constituição Russa, uma República Autônoma (como a Chechênia) goza de ampla liberdade e autonomia econômica. (Mais até que os estados brasileiros). E inclusive, atualmente, discutem-se aumentar mais ainda essa autonomia econômica.

E mais: não esqueçam do que aconteceu lá entre 1996 e 1999, quando a Chechênia obteve uma independência de fato: conseguiram a proeza de fazer um Estado pior que o resto da Federação, àquela época de instabilidade e turbulências. Instituiu-se a Sharya. Foi proibido o estudo, só se permitia o estudo religioso, todo e qualquer tipo de lazer foi proibido, meios de comunicação, total submissão da mulher, além disso, a ESCRAVIDÃO era algo corriqueiro (até recentemente as tropas do Ministério do Interior libertam centenas de pessoas que tinham que fazer trabalho escravo), seqüestros, (inclusive de médicos da Cruz Vermelha, como um brasileiro, lembram?), execuções e mutilações sumárias, que inclusive eram filmadas e difundidas pela web pelos terroristas ,tráfico de drogas e extorsões. Tudo isso sob a tutela de Aslan Maskhadov. (que foi morto em março de 2005). Até que a presença de seus milhares de mujahedines armados começaram a desestabilizar toda a região. Assim, desde 1998, o Governo russo insistia incessantemente para Maskhadov tomar providências, mas este nada fazia. Até fortalecia esses movimentos.
Então, em agosto de 1999, quando não satisfeitos com sua independência quiseram “libertar” a RA vizinha do Daguestão, os russos tiveram que retornar à Chechênia, e o Maskhadov (cuja eleição em 1997 havia sido reconhecida por Moscou, e o Ieltsin até o cumprimentou) foi deslegitimado do poder. Foi esse cara quem trouxe a guerra e a destruição de volta à Chechênia. Ele tinha a faca e o queijo na mão. Quando assinou o Tratado de Khassaviurt em junho de 96, eles tinham conseguido tudo o que queriam: a retirada das tropas russas (que foram humilhadas nesse primeiro e desastroso conflito) e a plena independência (embora o status só fosse ser discutido no ano 2000).

Vejam bem, não satisfeitos com o novo "emirado", os extremistas continuaram com incursões armadas em todo o Cáucaso, arregimentando novos quadros e desestabilizando toda a região. Assim, como disse, desde 98, o Ministério do Interior Russo requeria que o Governo de Maskhadov tomasse providências, mas este nada fazia (até dava apoio aos extremistas). Então, em julho de 99, uma incursão em massa de guerrilheiros partiu da Chechênia para "libertar" a RA vizinha do Daguestão. Foi somente aí, repito, (e não só em decorrência dos atentados em Moscou), que os russos reocuparam novamente a região.
As montanhas do Cáucaso, que até há pouco tempo eram testemunhas da indigência e incompetência do exército russo, agora testemunhavam a determinação de Moscou em acabar com o separatismo: cidade por cidade, do Daguestão até a capital chechena Grozny caíam sob o domínio russo, pela primeira vez desde muito tempo o Exército russo surrava alguém. Os próprios sites dos extremistas (como o Kavkaz Center) diziam que em 1999 eles tinham mais de 25000 guerrilheiros fortemente armados para se defender da agressão dos russos, contudo, em 2003, os próprios sites indicavam a presença de somente 3000 combatentes escondidos nas montanhas. Só para comparação, as FARC têm cerca de 30.000 guerrilheiros, e mesmo com todo o apoio e presença americana, ainda ocupam cerca de 1/3 do território da Colômbia há cerca de 40 anos.

Também não deve ser esquecido que, em 2003, a Constituição republicana que previa que a RA da Chechênia continuaria a permanecer na Federação Russa foi referendada por mais de 80% do povo checheno; isto é uma prova evidente que o próprio povo checheno rejeita o separatismo e quer permanecer na Federação Russa. Até porque, se assim não o fosse, iriam ter expulsado os russos de lá assim como fizeram em 96. Digo mais: quando foi a realização deste referendo e das eleições presidenciais, o povo checheno ainda tinha mais um poderoso motivo para sequer comparecer: os próprios rebeldes ameaçaram os postos eleitorais e quem fosse voltar. Mesmo assim, o povo checheno em massa deu a sua resposta.

Eu mesmo constatei, que foi o extremismo islâmico que acabou com o sentimento ou legitimidade de independência dos chechenos. Muitos eram wahabbistas. E desde 1995, o Congresso Muçulmano Russo rejeita o separatismo. (Não esqueçam, só na Rússia vivem mais de 20 milhões de muçulmanos.)

Se há crimes, abusos ou outras injustiças cometidas pelos russos, mas em que guerra ou conflito essas tragédias não ocorrem? O fato, é que, quem começou esta atual guerra não foram os russos. Ou vocês acham que a primeira guerra foi um “passeio”para os russos, que eles reocuparam a Chechênia porque não tinham outra coisa melhor pra fazer, ou sobrava dinheiro para uma operação tão perigosa como essa (como os russos sentiram amargamente em 94-96)???

Então, por mais que vocês não queiram aceitar, na Chechênia a Rússia luta pelo seu próprio território, e a favor dos interesses do povo checheno. Mas esses fatos vocês jamais lerão em qualquer artigo em revistas, jornais ou televisão. Para a imprensa e respectivos governos ocidentais, o interessante é ver a Rússia dividida, enfraquecida e humilhada. Por isso nunca mostram esse lado da moeda. Então quem se coloca a favor da independência chechena, além de tomar partido em uma situação que sequer conhecem, está fazendo exatamente o que governos como o dos EUA, União Européia e Inglaterra (que além de negar a extradição, ainda concede asilo a terroristas (como Zakayev) ou criminosos russos (como o dono da MSI e patrão do Kia, o Boris Berezovsky) querem: que a Rússia fique cada vez mais dividida e enfraquecida. Ou vocês acham que mesmo com toda essa conversa vazia de “aliados” e "coalizão antiterrorista" (que os próprios americanos destruíram ao invadir o Iraque), os EUA querem que a Rússia se recupere ou se fortaleça?