quarta-feira, 23 de junho de 2010

Incompetência militar da OTAN no Afeganistão

Não bastasse as notícias diárias de atentados, massacres e mortes entre a população civil afegã, consequência da ineficácia do governo fantoche e imaginário de Hamid Karzai, fruto da desastrosa política estratégica da OTAN, cresce a cada dia o número de baixas e mortes entre as tropas da OTAN.
Como é sabido, a razão deste organismo belicista existir cessou faz tempo. Os poucos cenários em que este formidável aparato militar poderia ser utilizado redunda em fracassos ou ineficácia.

O atual conflito constitui uma guerra de contra-insurgência, ou seja, uma guerra não linear, travada com as forças convencionais disputando os "corações e mentes" da população civil; enquanto as forças de elite (Forças de Propósitos Especiais e Forças de Operações Especiais) enfrentam as missões de "busca e destruição" do inimigo. Os guerrilheiros (ou insurgentes), por sua vez, tentam fomentar a insatisfação popular com o objetivo de criar um espírito de rejeição para com seus antagonistas.

Dada a dissimilaridade de ambas as forças, confrontos diretos são raros e, quando ocorrem, catastróficos para as forças irregulares.

Constatado o cenário militar, verifica-se que a atual estratégia e tática empregada pelo comando norte-americano da OTAN é ineficaz e fadada ao fracasso.

Não obstante a superabundância de meios e recursos, os militares da OTAN não conseguem tirar o menor proveito. Até a Rússia e outros países da região dão apoio ostensivo, desde facilidades em termos de logística à cooperação com serviços de inteligência. Além disso, os insurgentes não contam com o apoio de nenhuma potência ou poder relevante, no entanto as principais estruturas da Al Qaeda e do fundamentalismo islâmico ainda vicejam por toda a região.

A grande questão é que os ocidentais querem fazer guerra sem estarem preparados para morrer ou maiores sacrifícios. Acham que seus soldados, presumivelmente bem treinados e equipados estão aptos apenas a matar, aceitar as suas mortes é algo inconcebível, e mesmo quando morre um único soldado das forças ocidentais é motivo de notícia ou destaque.

Ocorre que para vencer, ou atingir os objetivos principais numa campanha como esta, faz-se necessário partir para o combate generalizado contra os insurgentes, como as tropas russas fizeram com êxito na segunda campanha na Chechênia. Os norte-americanos e países da OTAN não podem esperar vencer uma guerra de guerrilhas lançando bombas de aviões a quatro mil pés de altura.

A atual estratégia, de priorizar a mobilidade tática das unidades para atacarem em pontos previamente reconhecidos pelas forças especiais, atacando de forma "cirúrgica" e com aparentes poucos danos colaterais, enfim, economizando forças já se mostrou ineficiente e só arrasta esse conflito.

Há que mandar sim tropas regulares, com emprego maciço de viaturas blindadas e helicópteros de combate para caçar os guerrilheiros em seus esconderijos, cavernas e buracos. Certamente, muitas baixas ocorrerão entre as tropas da OTAN, assim como aconteceram com os nossos soldados na Chechênia, mas a situação foi controlada e definida.

Quando a URSS combateu os fundamentalistas islâmicos no Afeganistão, empregando as táticas acima citadas, ao contrário do que alega a imprensa e mídia ocidental, obtiam-se resultados militares bastante satisfatórios, mesmo com o mundo todo contra nós: vários países muçulmanos enviando militantes, armas e treinamentos oferecidos pelos americanos no Paquistão, e até a China oferecendo apoio e armas aos mujahedines.

Em comparação, mesmo com todo apoio mundial, e sem nenhum poder a apoiar os insurgentes do Taleban, a OTAN coleciona uma série de fracassos no Afeganistão e proximidades desde 2001.

Portanto, se querem vencer a guerra, reformulem as estratégias e comecem a lutar com coragem e persistência, empregando maciçamente as tropas e meios que dispõem para buscar e destruir os militantes em seus buracos, e não como se tudo fosse um mero vídeo game.

Game Over!