Nossos jornalistas, como sempre, apenas republicam o que a imprensa dos respectivos patrões dos Estados Unidos (e suas sucursais na Europa ocidental) escrevem sobre o assunto. Nem se dão ao trabalho de estudar a história, geografia, ou mesmo os fatos recentes dos países envolvidos.
Na parte sul-ocidental da Ucrânia, predominam grandes relevos naturais, formados pelos Montes Cárpatos que servem de excelente proteção ou obstáculo natural contra uma eventual invasão militar do Ocidente e estão a mais de mil quilômetros da capital russa, mas a porção ucraniana oriental (fronteira com a Rússia) é uma linha traçada na planície a cerca de 450 km de Moscou. Uma Ucrânia aliada à OTAN reduziria a menos da metade o percurso de um Exército ocidental disposto a tomar o Kremlin, eliminaria os obstáculos físicos e permitiria mísseis nucleares táticos a menos de meia hora de vôo para explodir suas ogivas em Moscou. Diante de toda essa importância estratégica, política e histórica, qualquer outro líder ficaria de braços cruzados? Lembro aos amigos que toda esta situação começou após 3 anos de negociações da Ucrânia para se associar à União Européia (não como membro pleno). Não pensem que o ex-presidente deposto Yanukovitch morria de amores pela Rússia. Só que depois desse tempo todo de negociações, na hora das partes se “coçarem”, viu que a Europa Unida está quebrada e sem dinheiro, e ainda impôs medidas de austeridade fiscal à Ucrânia. Resultado, deu uma banana para os europeus e correu para a Rússia, que (logicamente) acenava de braços abertos, oferecendo US$ 15 bilhões de dólares e, além disso, descontos nos preços do fornecimento de gás natural e combustíveis. Irritadinhos por terem perdido a parada geopolítica mais uma vez para a Rússia, europeus e americanos resolveram, escancaradamente, apelar para o "tapetão".
Mandaram seus políticos e líderes incentivarem e participarem de manifestações violentas (inclusive nada mais nada menos que o Senador republicano americano John McCain), cujos manifestantes, lançavam coquetéis Molotov em policiais, atiravam nas forças de segurança (só depois que 7 policiais ucranianos morreram fuzilados, numa mesma noite, é que a polícia revidou aos disparos), o que dias depois, culminou na derrubada de um presidente legitimamente eleito, sem direito à defesa ou a um processo de impeachment previsto na Constituição ucraniana. (Sim, pois se corrupção fosse pretexto para derrubar presidente eleito, não ficaria um no poder). Ainda mais quando a própria imprensa ocidental mostra que muitos desses manifestantes são neo-nazistas, xenófobos e antissemitas, como os da foto abaixo, nem escondendo suas bandeiras ucranianas com a suástica estilizada (Pesquisem sobre o Pravy Sektor.) De qualquer forma, antes de terem-no derrubado à força, o ex-presidente Yanukovitch já tinha aceitado indicar como primeiro-ministro qualquer pessoa da oposição, assim como para outros ministérios, bem como retornar à Constituição de 2004, que reduzia os poderes presidenciais e aumentava os do primeiro-ministro. Como as mortes e as manifestações não paravam, a diplomacia alemã havia conseguido um acordo para, mantidas as propostas anteriores, fossem marcadas novas eleições presidenciais para maio (o mandato dele terminaria em dezembro); os opositores haviam aceitado, mas no dia seguinte, voltaram atrás, quebraram a palavra, invadiram a sede do governo e derrubaram ilegalmente o presidente.
Tomando o poder, a primeira medida que os golpistas fizeram foi revogar a lei que autorizava a língua russa a ser utilizada na parte oriental do país, juntamente com outras 18 das minorias lingüísticas, sendo que na parte oriental do país a maioria populacional é russa. Essa medida é tão absurda que nem na época da URSS, inclusive nos anos de Stalin, havia qualquer impedimento ou restrição às centenas de línguas nacionais, inclusive nas escolas, onde eram ensinadas juntamente com o russo. (Ao contrário das “democracias” ocidentais que condenam suas línguas minoritárias à extinção). Mas não foi nada disso que levou o presidente Putin a mandar suas tropas tomarem posições na península (de maioria russa) da Criméia; os russos tiveram informações (repassadas inclusive ao governo espanhol), que assim que os manifestantes tomaram o poder, ofereceram aos Estados Unidos locais dentro da Ucrânia para instalação de bases de radares e baterias de mísseis do famoso "escudo antimíssil", em troca de ajuda econômica, o que como expus acima, é uma ameaça completa à segurança russa. (Ou seja, o que os americanos não admitiram em Cuba em 1962, querem que outros aceitem??) Assim, como desde 1993, a península da Criméia (de maioria russa) já havia declarado autonomia em relação à Ucrânia, e sempre manifestaram o desejo de retornar à Rússia, simplesmente juntou-se a fome com a vontade de comer, vejam o resultado do referendo realizado, sendo que, em que pesem as acusações do Ocidente (nenhuma comprovada nem mesmo por indícios de provas), o comparecimento às urnas não era obrigatório, e mesmo assim, a esmagadora maioria dos residentes da Criméia decidiu pela soberania russa na região. Lembrem que desde o século XVIII, a Criméia sempre foi russa, poucos calculam a quantidade de sangue russo que foi derramado na Guerra da Criméia em 1853/1854, contra turcos, franceses e ingleses, bem como contra os nazistas em 1942/1943, ocorrendo lá uma das batalhas mais épicas da 2ª Guerra Mundial. E foram os russos mesmos que deram o sangue lá, pois os ucranianos do oeste, lutavam pelos nazistas.
Apenas em 1954, o bêbado fanfarrão Nikita Khruschov (cujos pais eram ucranianos) cedeu a Criméia à República Socialista Soviética da Ucrânia, por mero capricho, pois inclusive, toda sua família era de origem ucraniana. Então, os hipócritas do Ocidente, ao derrubarem Yanukovitch, achavam que tinham colocado o Putin em “xeque”, mas com a movimentação na Criméia, Putin deu um verdadeiro “xeque-mate” neles. O ocidente pode até ter levado a Ucrânia para sua influência, assim como o fizeram em 2004, mas agora perderam um bom naco. Bases de mísseis táticos russos na Criméia, b
em como em Kaliningrado, anulam qualquer vantagem de sistemas antimísseis ocidentais instalados na Ucrânia continental. Pior do que isso, é ver o Secretário de Estado americano John Kerry falando que “você simplesmente não se comporta no século 21 como se estivesse no século 19, invadindo outro país com motivos completamente falsos”... Será que ele falou isto em 1999 quando os americanos invadiram e bombardearam a Iugoslávia para defender a “democracia” no Kosovo ou quando invadiram o Iraque em 2003, apenas para roubar o petróleo do Iraque, inventando aquela história de armas de destruição em massa? Ou seja, só os americanos podem defender seus interesses vitais e as suas áreas de influência? A democracia é aquela que só interessa quando algum aliado ou partidário deles vence??
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
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