Estamos perto de completar um ano da atual histeria antirussa promovida por políticos e meios de comunicação ocidentais.
Até agora, não há qualquer prova ou mesmo evidência de que houve envolvimento do governo russo nas eleições norte-americanas de 2016, objetivando favorecer Donald Trump. Mas a histeria e as acusações sem provas persistem, chegando ao ponto de até acusarem envolvimento do Kremlin em eleições de outros países.
Nunca acreditei isso, pois os dirigentes russos sabem que TODOS os políticos ocidentais acabam sendo antirussos, pois não há nenhum outro bode expiatório poderoso o suficiente para justificar suas políticas agressivas de gastos e expansão militar.
E mesmo que tenha havido interferência do governo russo, o que me dizem disso?? (Capa da revista Time de 15 de julho de 1996)...
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
A histeria antirrussa - Quem mente mais sobre a Ucrânia - parte II
Os amigos devem estar percebendo a grita e histeria antirrussas, que não eram sentidas desde a época da União Soviética. Como sempre, TODA a imprensa ocidental (inclusive suas sucursais brasileiras) apenas repetem o que seus patrões governantes consideram, sem ao menos ponderar razões que saltam aos olhos. Mesmo algumas análises que tentar mostrar independência e bem senso, como a que postarei abaixo, omitem aspectos absolutamente relevantes.
Vamos analisar e refletir sobre quem foi o maior responsável para as relações Rússia-Ocidente terem chegado ao seu pior nível, desde a independência Russa, ao final da URSS. Postarei uma análise, e ao final, minhas considerações.
Por que as relações
entre Rússia e EUA estão no pior momento desde a Guerra Fria


Alicerces
fracos
Insensibilidade
dos EUA ou nostalgia russa?
Tratamento
injusto
Sinais
contraditórios
Competição
por influência
Desafio
para o próximo presidente dos EUA
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Considerações do Gal. Orlov:
Análise interessante e até surpreendente, vindo do BBC, mas como o próprio autor escreveu, incompleta.
Além da expansão da OTAN em direção às fronteiras da Rússia idealizada ainda no início da década de 90, quando a Rússia não representava ameaça para ninguém, e corria mesmo o risco de se desintegrar, o articulista esqueceu de ponderar o abandono, por parte de Washington, em dezembro de 2001, do Tratado Antimísseis Balísticos (ABM), firmado em 1972. Além de proibir a instalação de componentes de “escudos” antimísseis perto das fronteiras dos países antagônicos, estipulava que cada nação poderia manter apenas duas instalações antimísseis: uma para proteger a capital e outra a pelo menos1.300
quilômetros de distância dela. Mais importante, o
tratado previa que cada país poderia lançar no máximo 200 mísseis (100 para
ataque e 100 para interceptação); esse acordo tinha por objetivo evitar que uma
das superpotências se tornasse invulnerável e se sentisse apta a desfechar um
primeiro ataque nuclear.
Essa retirada injustificada (sob as mentirosas alegações de Irã, Coréia do Norte e, à época, Iraque), foi a “recompensa” que os russos tiveram por terem cooperado e se solidarizado com os americanos logo após o 11 de setembro. Putin foi o primeiro líder mundial que conseguiu contato com o Presidente Bush se solidarizando, oferecendo cooperação antiterrorista, e ainda (o que foi mais simbólico, mas não menos significativo), que não colocaria as forças nucleares russas no estado de alerta correspondente, o que seria automático, pois os EUA já se encontravam no DEFCON 2 (segundo nível de alerta máximo, ataque nuclear provável).
Na Geórgia, em 2008, até uma comissão investigativa da União Européia constatou que foi a própria Geórgia quem iniciou o conflito, abrindo fogo de artilharia pesada contra tropas de paz russas (autorizadas pela ONU) que encontravam-se na Ossétia do Sul. Lembrem que desde 2003, os Estados Unidos e vários outros países do Ocidente, depois da chamada “Revolução das Rosas”, forneciam armas e treinamentos para as tropas georgianas. A Geórgia começou o ataque na Ossétia justamente em plena cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim, porém em 5 dias, o Exército Russo, até então tachado de obsoleto e débil pela imprensa e "analistas" ocidentais, destruiu todo aparato militar da Geórgia, inclusive sua flotilha. Chegaram inclusive a capturar sistemas de armas israelenses e viaturas blindadas de fabricação norte-americana.
Todavia, muito embora as maiorias populacionais da Ossétia do Sul e da Abkházia pleiteassem a independência da Geórgia, e no caso da primeira, a anexação à Rússia, Moscou não as anexou muito menos provocou a desestabilização da região.
Também na Ucrânia, a presença do senador norte-americano John McCain, funcionários do Depto. de Estado e outros políticos europeusem
plena Maidan , desde dezembro de 2013, junto aos arruaceiros neo-nazistas e
“Black-Blocs”, diz tudo. Os filmes por eles patrocinados e a imprensa só
“esqueceram” de informar que foram os “guerreiros da liberdade” que começaram a
atacar a polícia ucraniana, disparando e jogando coquetel Molotov nos
policiais, até construindo catapultas para isso. Mas a imprensa só fez alarde
quando a polícia revidou, para salvar a própria pele. E aquilo sim, foi um
golpe de Estado. Yanukovitch podia ser corrupto até a medula, mas os golpistas não
fizeram nem um processo de Impeachment (previsto na Constituição Ucraniana, e o
pior, eles tinham franca maioria através da oposição na Rada, o Parlamento
Ucraniano).
Pior do que isso, enquanto o impasse perdurava, no início de 2014, Ângela Merkel havia conseguido um compromisso com Yanukovitch e os Black-blocs: o primeiro desconcentraria os poderes e deixaria o cargo dentro de alguns meses, e as eleições (que já seriam no final de 2014 mesmo) seriam antecipadas. Mas os Black-blocs descumpriram o acordo, tomaram o poder à força e o resultado, depois de dois anos: colocaram outro corrupto no poder, Poroshenko, liderança dúbia a qual vários aliados do golpe, inclusive seu primeiro-ministro, já abandonaram. Sem falar que a Ucrânia está completamente falida, mesmo com toda ajuda do Ocidente, conseguiram acabar com seu importante parque tecnológico, em outras palavras, a fabricante de aeronaves Antonov foi liquidada há poucos meses. Sua estratégica indústria de foguetes, antes considerada uma das mais importantes do mundo, infelizmente, hoje não lança mais nem um busca-pé.
Diante disso, tropas russas, baseadas na Criméia, região que, após a expulsão dos turcos no século XVIII sempre foi russa, e a qual quase 90% da população é de etnia russa, realmente tomaram posições por toda a península, pois os serviços secretos russos tiveram informação de que uma das primeiras medidas do governo de Poroshenko, seria desalojar as bases navais russas da região (dentre elas a principal do Mar Negro), bem como ceder o espaço para a OTAN e seu sistemas antimísseis. Mesmo assim, uma consulta popular foi feita, e como era de se esperar, mais de 90% dos habitantes se mostraram favoráveis a voltarem a fazer parte da Federação Russa, corrigindo uma injustiça história cometida arbitrariamente por Nikita Khruschov. Se a Rússia realmente é o monstro expansionista e imperialista, pergunta-se: por que não o fez isso em 2004, depois da eclosão da “Revolução Laranja”, mutatis mutandi, quase a mesma coisa??
Foi especialmente isso que tanto enfureceu os americanos. Obama e seus políticos estavam radiantes, pois haviam arrebatado a Ucrânia para sua influência para sempre, depois de muitos anos de tentativas fracassadas. Mas Putin deu-lhes o xeque-mate com a anexação da Criméia. Os americanos e os países do Ocidente dizem que foi ilegal. Mas se esquecem, que sempre bradaram a favor da soberania e autodeterminação dos povos, apoiaram diversos movimentos separatistas no mundo, inclusive, no Kosovo, em 1999, quando bombardearam criminosamente a Sérvia. Ou seja, o desejo popular só importa quando lhes convêm??
Os ucranianos da junta de Kiev, os países europeus e os Estados Unidos, jamais conseguiram comprovar, por uma mísera foto de satélite, que seja, a presença de armas e artilharias do Exército Russo nas regiões ucranianas do leste, de maiorias russas. A única coisa que conseguem mostrar, são um ou outro russo desempregado, que já havia dado baixa no Exército, combatendo com as guerrilhas de Donetsk e Lugansk. Mas há até brasileiros, italianos e (pasmem) norte-americanos nessas fileiras, por questões financeiras ou pessoais/ideológicas. Ao contrário do que repetem, não há apoio russo a esses movimentos; perguntem aos líderes dessas milícias o que eles acham de Putin e da Rússia, desde o Golpe de 2014, eles se consideram abandonados e traídos pelos russos. Mas a imprensa ocidental, sem um único correspondente no local, insiste em enganar o público.
Putin está muito mais empenhado em chegar a um acordo político que contemple essas regiões de maioria russa na Ucrânia do que a liderança da junta de Kiev. Até os líderes europeus sabem disso. Poroshenko e seus patrões norte-americanos devem lembrar que Rússia e Ucrânia sempre foram unidas por verdadeiros laços umbilicais. Forçar abruptamente uma ruptura, como fizeram, em 2014, só podia resultar em desastre. Como afirmado acima, a Ucrânia arruinou completamente seu parque aeroespacial, ficará agora sujeita a mera exportadora de grãos para a Europa; mesmo a indústria militar e espacial russa sentiu os efeitos dessa ruptura, tiveram que procurar outros fornecedores ou passar a fabricar alguns componentes necessários. Isso sem falar dos laços históricos, culturais e mesmo trágicos que sempre as uniram. Hoje tentam inclusive reescrever a História, como se os milhões de mortos pela fome por culpa da coletivização forçada de Stalin tivesse sido um plano exclusivo concebido pela etnia russa para eliminar apenas os ucranianos, esquecendo, que, na mesma época, muito mais russos morreram pela mesma fome, principalmente nos Urais.
Sabemos que nossos jornalistas e "analistas" que se põem a escrever sobre esses assuntos, são verdadeiros boçais em História e Geografia, mas hoje em dia as informações estão disponíveis a todos, não têm mais desculpas, basta estudar e escrever com imparcialidade.
Vamos analisar e refletir sobre quem foi o maior responsável para as relações Rússia-Ocidente terem chegado ao seu pior nível, desde a independência Russa, ao final da URSS. Postarei uma análise, e ao final, minhas considerações.
Por que as relações
entre Rússia e EUA estão no pior momento desde a Guerra Fria
Da BBC News
19/10/2016 - 13h06
Difícil lembrar de um período, desde o
fim da chamada Guerra Fria, em 1991, em que as relações entre Rússia e EUA
tenham estado tão ruins.
O governo americano classifica como
"massacre" a ofensiva conjunta das forças sírias e russas na cidade
de Aleppo e denuncia crimes de guerra.
O presidente russo, Vladimir Putin,
falou claramente sobre a deterioração do clima entre Washington e Moscou e
insistiu em afirmar que o governo de Barack Obama prefere fazer imposições a
dialogar.
Ainda assim, russos e americanos
continuam discutindo a situação na Síria.
Isso porque, apesar de toda retórica e
acusações, os dois países sabem que têm um importante papel em qualquer acordo
final sobre o conflito.
Uma guerra permanente na Síria não
beneficia Moscou nem Washington.
Alicerces
fracos
Entretanto, sem um nível básico de
confiança e entendimento, qualquer tentativa de diálogo será construída sobre
alicerces fracos.
Ninguém sabia como as coisas
aconteceriam, mas sabia-se que o fim da Guerra Fria traria consigo uma nova
era.
Durante certo tempo a Rússia saiu do
cenário global, mas agora retornou com mais força, desejosa de consolidar sua
posição nas áreas vizinhas, recuperar um pouco do antigo protagonismo mundial e
equilibrar o que vê como uma humilhação do Ocidente.
Afinal, quando tudo desandou? Por que
Rússia e Ocidente não conseguem forjar um tipo diferente de relação? Quem é
responsável por isso?
Insensibilidade
dos EUA ou nostalgia russa?
Podemos descrever o momento atual como
uma nova Guerra Fria?
Não vou tentar responder a todas essas
perguntas.
A
complexidade do assunto exigiria um livro tão longo quanto Guerra
e Paz, de Tolstoi. Mas tentarei dar algumas pistas.
Para Paul Pillar, pesquisador do Centro
de Estudos sobre Segurança da Universidade de Georgetown e ex-agente da CIA (o
serviço secreto americano), os erros iniciais são do Ocidente.
"Essa relação começou a piorar
quando o Ocidente não tratou a Rússia como um país que tinha se livrado do
comunismo soviético", disse Pillar.
"A Rússia tinha que ter sido
recebida dessa forma em uma nova comunidade de nações, mas o que aconteceu é
que o país acabou sendo considerado sucessor da União Soviética, herdando
inclusive o status de principal foco de desconfiança do Ocidente."
Esse pecado original, digamos assim,
foi agravado pelo entusiasmo ocidental em expandir a Otan (Organização do
Tratado do Atlântico Norte), primeiro admitindo países como Polônia, República
Tcheca e Hungria, que tinham uma longa tradição nacionalista e de luta contra o
regime de Moscou.
Mas a expansão da Otan não parou por
ali. Foram acrescentados países bálticos como Lituânia, Estônia e Letônia, que
faziam parte da antiga União Soviética.
Tratamento
injusto
Os críticos perguntam por que razão
Moscou resiste à ideia de que Georgia ou Ucrânia passem para o lado do
Ocidente.
Resumindo, a Rússia acredita que foi tratada
injustamente desde o fim da Guerra Fria.
Claro que esse não é o pensamento
vigente no Ocidente, que prefere destacar o revanchismo russo, personificado
por Vladimir Putin, homem que descreveu o colapso da União Soviética como
"a maior catástrofe geopolítica" do século 20.
Há um debate interessante entre
especialistas americanos sobre qual dos lados teria razão.
Devemos nos voltar para os erros
estratégicos iniciais do Ocidente ao lidar com a nova Rússia ou considerar as
recentes ações de Moscou na Geórgia, Síria ou Ucrânia?
John Sawers, ex-chefe do MI6 (o serviço
secreto britânico) e ex-embaixador britânico nas Nações Unidas, observou o
desenvolvimento da diplomacia russa. Ele prefere falar do período mais recente.
Em entrevista à BBC, Sawers disse que,
nos últimos oito anos, o Ocidente não deu atenção suficiente ao estabelecimento
de uma relação estratégica correta com a Rússia.
Sinais
contraditórios
"Se houvesse um entedimento claro
entre Washington e Moscou sobre as normas que devem ser adotadas - para que um
país não prejudique o outro - a solução de problemas regionais como Síria,
Ucrânia ou Coreia do Norte poderia ser mais simples", disse.
Vários outros especialistas também
destacam o papel da diplomacia do governo Obama, que frequentemente enviou
sinais contraditórios.
O poder absoluto de Washington talvez
esteja diminuindo, mas as vezes os EUA parecem divididos sobre os diferentes
níveis de poder que lhe restam.
As perguntas se sucedem:
Estariam os EUA voltando sua atenção
para a Ásia e até que ponto o país tem realmente minimizado seu papel na Europa
e no Oriente Médio?
Washington está preparado para apoiar
sua retórica com o uso da força? (Na Síria, essa resposta tem sido não.)
Os EUA realmente pensaram nas
implicações das suas posições em relação a Moscou?
Em 2014, às vésperas da anexação da
Crimeia, Putin discursou no Parlamento russo e advertiu:
"Se você comprime uma mola até o
limite máximo, ela voltará com força na direção contrária. Lembrem-se sempre
disso."
O
professor Nikolas Gvosdev observou em artigo na revista americana The National Interest, especializada em política, que
"a resposta prudente seria encontrar formas de reduzir a pressão sobre a
mola ou se preparar para aguentar o golpe quando a mola voltar à forma
original".
Quaisquer que tenham sido os erros do
passado e quem quer que tenha sido responsável por eles, o fato é que agora
chegamos onde estamos.
E onde estamos? Estão EUA e Rússia à
beira de um conflito pela Síria? Não creio. Então por que existe a ideia de que
estamos entrando num novo período de Guerra Fria?
Competição
por influência
O ex-agente da CIA Paul Pillar acha que
esse não é o termo correto.
"Não estamos vendo o tipo de
competição ideológica que caracterizou a Guerra Fria e felizmente já não temos
outra corrida nuclear armamentista", explicou.
"O que resta é uma grande
competição por influência. A Rússia é uma potência menos expressiva do que foi
a União Soviética e do que a superpotência que os EUA ainda são".
E quanto ao futuro? Às vésperas das
eleições presidenciais nos EUA, Moscou talvez acredite que por enquanto tem o
caminho livre.
Há sinais de que os russos estão
tentando usar esse caminho para criar várias zonas de conflito de tal maneira
que o próximo ocupante da Casa Branca se veja diante de um fato consumado.
É uma situação parecida com a de 2008,
quando as relações EUA-Rússia foram congeladas na véspera da entrada dos russos
na guerra contra a Geórgia.
Isso causou um desastre na política do
governo George W. Bush em relação a Moscou e é um caos herdado pelo presidente
Obama.
Lembram do famoso "recomeço"
das relações com a Rússia pregado por uma Secretária de Estado americana
chamada Hillary Clinton? Bem, isso não avançou muito.
Desafio
para o próximo presidente dos EUA
John Sawers disse à BBC que "o
próximo presidente dos EUA - espero que seja Hillary - tem a grande
responsabilidade de estabelecer um tipo diferente de relação".
"Não estamos buscando uma relação
mais quente com a Rússia, tampouco uma relação mais fria", afirmou.
"O que buscamos é um entendimento
estratégico com Moscou sobre como atingir a estabilidade global, em toda a
Europa e entre a Rússia e EUA, para que a estabilidade fundamental do mundo
tenha uma base mais sólida do que teve até agora".
Sawers concluiu que a chamada "Pax
Americana" - a paz relativa no Ocidente desde a Segunda Guerra Mundial -
foi um período muito curto, que agora terminou.- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Considerações do Gal. Orlov:
Análise interessante e até surpreendente, vindo do BBC, mas como o próprio autor escreveu, incompleta.
Além da expansão da OTAN em direção às fronteiras da Rússia idealizada ainda no início da década de 90, quando a Rússia não representava ameaça para ninguém, e corria mesmo o risco de se desintegrar, o articulista esqueceu de ponderar o abandono, por parte de Washington, em dezembro de 2001, do Tratado Antimísseis Balísticos (ABM), firmado em 1972. Além de proibir a instalação de componentes de “escudos” antimísseis perto das fronteiras dos países antagônicos, estipulava que cada nação poderia manter apenas duas instalações antimísseis: uma para proteger a capital e outra a pelo menos
Essa retirada injustificada (sob as mentirosas alegações de Irã, Coréia do Norte e, à época, Iraque), foi a “recompensa” que os russos tiveram por terem cooperado e se solidarizado com os americanos logo após o 11 de setembro. Putin foi o primeiro líder mundial que conseguiu contato com o Presidente Bush se solidarizando, oferecendo cooperação antiterrorista, e ainda (o que foi mais simbólico, mas não menos significativo), que não colocaria as forças nucleares russas no estado de alerta correspondente, o que seria automático, pois os EUA já se encontravam no DEFCON 2 (segundo nível de alerta máximo, ataque nuclear provável).
Na Geórgia, em 2008, até uma comissão investigativa da União Européia constatou que foi a própria Geórgia quem iniciou o conflito, abrindo fogo de artilharia pesada contra tropas de paz russas (autorizadas pela ONU) que encontravam-se na Ossétia do Sul. Lembrem que desde 2003, os Estados Unidos e vários outros países do Ocidente, depois da chamada “Revolução das Rosas”, forneciam armas e treinamentos para as tropas georgianas. A Geórgia começou o ataque na Ossétia justamente em plena cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim, porém em 5 dias, o Exército Russo, até então tachado de obsoleto e débil pela imprensa e "analistas" ocidentais, destruiu todo aparato militar da Geórgia, inclusive sua flotilha. Chegaram inclusive a capturar sistemas de armas israelenses e viaturas blindadas de fabricação norte-americana.
Todavia, muito embora as maiorias populacionais da Ossétia do Sul e da Abkházia pleiteassem a independência da Geórgia, e no caso da primeira, a anexação à Rússia, Moscou não as anexou muito menos provocou a desestabilização da região.
Também na Ucrânia, a presença do senador norte-americano John McCain, funcionários do Depto. de Estado e outros políticos europeus
Pior do que isso, enquanto o impasse perdurava, no início de 2014, Ângela Merkel havia conseguido um compromisso com Yanukovitch e os Black-blocs: o primeiro desconcentraria os poderes e deixaria o cargo dentro de alguns meses, e as eleições (que já seriam no final de 2014 mesmo) seriam antecipadas. Mas os Black-blocs descumpriram o acordo, tomaram o poder à força e o resultado, depois de dois anos: colocaram outro corrupto no poder, Poroshenko, liderança dúbia a qual vários aliados do golpe, inclusive seu primeiro-ministro, já abandonaram. Sem falar que a Ucrânia está completamente falida, mesmo com toda ajuda do Ocidente, conseguiram acabar com seu importante parque tecnológico, em outras palavras, a fabricante de aeronaves Antonov foi liquidada há poucos meses. Sua estratégica indústria de foguetes, antes considerada uma das mais importantes do mundo, infelizmente, hoje não lança mais nem um busca-pé.
Diante disso, tropas russas, baseadas na Criméia, região que, após a expulsão dos turcos no século XVIII sempre foi russa, e a qual quase 90% da população é de etnia russa, realmente tomaram posições por toda a península, pois os serviços secretos russos tiveram informação de que uma das primeiras medidas do governo de Poroshenko, seria desalojar as bases navais russas da região (dentre elas a principal do Mar Negro), bem como ceder o espaço para a OTAN e seu sistemas antimísseis. Mesmo assim, uma consulta popular foi feita, e como era de se esperar, mais de 90% dos habitantes se mostraram favoráveis a voltarem a fazer parte da Federação Russa, corrigindo uma injustiça história cometida arbitrariamente por Nikita Khruschov. Se a Rússia realmente é o monstro expansionista e imperialista, pergunta-se: por que não o fez isso em 2004, depois da eclosão da “Revolução Laranja”, mutatis mutandi, quase a mesma coisa??
Foi especialmente isso que tanto enfureceu os americanos. Obama e seus políticos estavam radiantes, pois haviam arrebatado a Ucrânia para sua influência para sempre, depois de muitos anos de tentativas fracassadas. Mas Putin deu-lhes o xeque-mate com a anexação da Criméia. Os americanos e os países do Ocidente dizem que foi ilegal. Mas se esquecem, que sempre bradaram a favor da soberania e autodeterminação dos povos, apoiaram diversos movimentos separatistas no mundo, inclusive, no Kosovo, em 1999, quando bombardearam criminosamente a Sérvia. Ou seja, o desejo popular só importa quando lhes convêm??
Os ucranianos da junta de Kiev, os países europeus e os Estados Unidos, jamais conseguiram comprovar, por uma mísera foto de satélite, que seja, a presença de armas e artilharias do Exército Russo nas regiões ucranianas do leste, de maiorias russas. A única coisa que conseguem mostrar, são um ou outro russo desempregado, que já havia dado baixa no Exército, combatendo com as guerrilhas de Donetsk e Lugansk. Mas há até brasileiros, italianos e (pasmem) norte-americanos nessas fileiras, por questões financeiras ou pessoais/ideológicas. Ao contrário do que repetem, não há apoio russo a esses movimentos; perguntem aos líderes dessas milícias o que eles acham de Putin e da Rússia, desde o Golpe de 2014, eles se consideram abandonados e traídos pelos russos. Mas a imprensa ocidental, sem um único correspondente no local, insiste em enganar o público.
Putin está muito mais empenhado em chegar a um acordo político que contemple essas regiões de maioria russa na Ucrânia do que a liderança da junta de Kiev. Até os líderes europeus sabem disso. Poroshenko e seus patrões norte-americanos devem lembrar que Rússia e Ucrânia sempre foram unidas por verdadeiros laços umbilicais. Forçar abruptamente uma ruptura, como fizeram, em 2014, só podia resultar em desastre. Como afirmado acima, a Ucrânia arruinou completamente seu parque aeroespacial, ficará agora sujeita a mera exportadora de grãos para a Europa; mesmo a indústria militar e espacial russa sentiu os efeitos dessa ruptura, tiveram que procurar outros fornecedores ou passar a fabricar alguns componentes necessários. Isso sem falar dos laços históricos, culturais e mesmo trágicos que sempre as uniram. Hoje tentam inclusive reescrever a História, como se os milhões de mortos pela fome por culpa da coletivização forçada de Stalin tivesse sido um plano exclusivo concebido pela etnia russa para eliminar apenas os ucranianos, esquecendo, que, na mesma época, muito mais russos morreram pela mesma fome, principalmente nos Urais.
Sabemos que nossos jornalistas e "analistas" que se põem a escrever sobre esses assuntos, são verdadeiros boçais em História e Geografia, mas hoje em dia as informações estão disponíveis a todos, não têm mais desculpas, basta estudar e escrever com imparcialidade.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Quem mente mais sobre a Ucrânia - o tapetão do Ocidente - Parte 1
Nossos jornalistas, como sempre, apenas republicam o que a imprensa dos respectivos patrões dos Estados Unidos (e suas sucursais na Europa ocidental) escrevem sobre o assunto. Nem se dão ao trabalho de estudar a história, geografia, ou mesmo os fatos recentes dos países envolvidos.
Na parte sul-ocidental da Ucrânia, predominam grandes relevos naturais, formados pelos Montes Cárpatos que servem de excelente proteção ou obstáculo natural contra uma eventual invasão militar do Ocidente e estão a mais de mil quilômetros da capital russa, mas a porção ucraniana oriental (fronteira com a Rússia) é uma linha traçada na planície a cerca de 450 km de Moscou. Uma Ucrânia aliada à OTAN reduziria a menos da metade o percurso de um Exército ocidental disposto a tomar o Kremlin, eliminaria os obstáculos físicos e permitiria mísseis nucleares táticos a menos de meia hora de vôo para explodir suas ogivas em Moscou. Diante de toda essa importância estratégica, política e histórica, qualquer outro líder ficaria de braços cruzados? Lembro aos amigos que toda esta situação começou após 3 anos de negociações da Ucrânia para se associar à União Européia (não como membro pleno). Não pensem que o ex-presidente deposto Yanukovitch morria de amores pela Rússia. Só que depois desse tempo todo de negociações, na hora das partes se “coçarem”, viu que a Europa Unida está quebrada e sem dinheiro, e ainda impôs medidas de austeridade fiscal à Ucrânia. Resultado, deu uma banana para os europeus e correu para a Rússia, que (logicamente) acenava de braços abertos, oferecendo US$ 15 bilhões de dólares e, além disso, descontos nos preços do fornecimento de gás natural e combustíveis. Irritadinhos por terem perdido a parada geopolítica mais uma vez para a Rússia, europeus e americanos resolveram, escancaradamente, apelar para o "tapetão".
Mandaram seus políticos e líderes incentivarem e participarem de manifestações violentas (inclusive nada mais nada menos que o Senador republicano americano John McCain), cujos manifestantes, lançavam coquetéis Molotov em policiais, atiravam nas forças de segurança (só depois que 7 policiais ucranianos morreram fuzilados, numa mesma noite, é que a polícia revidou aos disparos), o que dias depois, culminou na derrubada de um presidente legitimamente eleito, sem direito à defesa ou a um processo de impeachment previsto na Constituição ucraniana. (Sim, pois se corrupção fosse pretexto para derrubar presidente eleito, não ficaria um no poder). Ainda mais quando a própria imprensa ocidental mostra que muitos desses manifestantes são neo-nazistas, xenófobos e antissemitas, como os da foto abaixo, nem escondendo suas bandeiras ucranianas com a suástica estilizada (Pesquisem sobre o Pravy Sektor.) De qualquer forma, antes de terem-no derrubado à força, o ex-presidente Yanukovitch já tinha aceitado indicar como primeiro-ministro qualquer pessoa da oposição, assim como para outros ministérios, bem como retornar à Constituição de 2004, que reduzia os poderes presidenciais e aumentava os do primeiro-ministro. Como as mortes e as manifestações não paravam, a diplomacia alemã havia conseguido um acordo para, mantidas as propostas anteriores, fossem marcadas novas eleições presidenciais para maio (o mandato dele terminaria em dezembro); os opositores haviam aceitado, mas no dia seguinte, voltaram atrás, quebraram a palavra, invadiram a sede do governo e derrubaram ilegalmente o presidente.
Tomando o poder, a primeira medida que os golpistas fizeram foi revogar a lei que autorizava a língua russa a ser utilizada na parte oriental do país, juntamente com outras 18 das minorias lingüísticas, sendo que na parte oriental do país a maioria populacional é russa. Essa medida é tão absurda que nem na época da URSS, inclusive nos anos de Stalin, havia qualquer impedimento ou restrição às centenas de línguas nacionais, inclusive nas escolas, onde eram ensinadas juntamente com o russo. (Ao contrário das “democracias” ocidentais que condenam suas línguas minoritárias à extinção). Mas não foi nada disso que levou o presidente Putin a mandar suas tropas tomarem posições na península (de maioria russa) da Criméia; os russos tiveram informações (repassadas inclusive ao governo espanhol), que assim que os manifestantes tomaram o poder, ofereceram aos Estados Unidos locais dentro da Ucrânia para instalação de bases de radares e baterias de mísseis do famoso "escudo antimíssil", em troca de ajuda econômica, o que como expus acima, é uma ameaça completa à segurança russa. (Ou seja, o que os americanos não admitiram em Cuba em 1962, querem que outros aceitem??) Assim, como desde 1993, a península da Criméia (de maioria russa) já havia declarado autonomia em relação à Ucrânia, e sempre manifestaram o desejo de retornar à Rússia, simplesmente juntou-se a fome com a vontade de comer, vejam o resultado do referendo realizado, sendo que, em que pesem as acusações do Ocidente (nenhuma comprovada nem mesmo por indícios de provas), o comparecimento às urnas não era obrigatório, e mesmo assim, a esmagadora maioria dos residentes da Criméia decidiu pela soberania russa na região. Lembrem que desde o século XVIII, a Criméia sempre foi russa, poucos calculam a quantidade de sangue russo que foi derramado na Guerra da Criméia em 1853/1854, contra turcos, franceses e ingleses, bem como contra os nazistas em 1942/1943, ocorrendo lá uma das batalhas mais épicas da 2ª Guerra Mundial. E foram os russos mesmos que deram o sangue lá, pois os ucranianos do oeste, lutavam pelos nazistas.
Apenas em 1954, o bêbado fanfarrão Nikita Khruschov (cujos pais eram ucranianos) cedeu a Criméia à República Socialista Soviética da Ucrânia, por mero capricho, pois inclusive, toda sua família era de origem ucraniana. Então, os hipócritas do Ocidente, ao derrubarem Yanukovitch, achavam que tinham colocado o Putin em “xeque”, mas com a movimentação na Criméia, Putin deu um verdadeiro “xeque-mate” neles. O ocidente pode até ter levado a Ucrânia para sua influência, assim como o fizeram em 2004, mas agora perderam um bom naco. Bases de mísseis táticos russos na Criméia, b
em como em Kaliningrado, anulam qualquer vantagem de sistemas antimísseis ocidentais instalados na Ucrânia continental. Pior do que isso, é ver o Secretário de Estado americano John Kerry falando que “você simplesmente não se comporta no século 21 como se estivesse no século 19, invadindo outro país com motivos completamente falsos”... Será que ele falou isto em 1999 quando os americanos invadiram e bombardearam a Iugoslávia para defender a “democracia” no Kosovo ou quando invadiram o Iraque em 2003, apenas para roubar o petróleo do Iraque, inventando aquela história de armas de destruição em massa? Ou seja, só os americanos podem defender seus interesses vitais e as suas áreas de influência? A democracia é aquela que só interessa quando algum aliado ou partidário deles vence??
Na parte sul-ocidental da Ucrânia, predominam grandes relevos naturais, formados pelos Montes Cárpatos que servem de excelente proteção ou obstáculo natural contra uma eventual invasão militar do Ocidente e estão a mais de mil quilômetros da capital russa, mas a porção ucraniana oriental (fronteira com a Rússia) é uma linha traçada na planície a cerca de 450 km de Moscou. Uma Ucrânia aliada à OTAN reduziria a menos da metade o percurso de um Exército ocidental disposto a tomar o Kremlin, eliminaria os obstáculos físicos e permitiria mísseis nucleares táticos a menos de meia hora de vôo para explodir suas ogivas em Moscou. Diante de toda essa importância estratégica, política e histórica, qualquer outro líder ficaria de braços cruzados? Lembro aos amigos que toda esta situação começou após 3 anos de negociações da Ucrânia para se associar à União Européia (não como membro pleno). Não pensem que o ex-presidente deposto Yanukovitch morria de amores pela Rússia. Só que depois desse tempo todo de negociações, na hora das partes se “coçarem”, viu que a Europa Unida está quebrada e sem dinheiro, e ainda impôs medidas de austeridade fiscal à Ucrânia. Resultado, deu uma banana para os europeus e correu para a Rússia, que (logicamente) acenava de braços abertos, oferecendo US$ 15 bilhões de dólares e, além disso, descontos nos preços do fornecimento de gás natural e combustíveis. Irritadinhos por terem perdido a parada geopolítica mais uma vez para a Rússia, europeus e americanos resolveram, escancaradamente, apelar para o "tapetão".
Mandaram seus políticos e líderes incentivarem e participarem de manifestações violentas (inclusive nada mais nada menos que o Senador republicano americano John McCain), cujos manifestantes, lançavam coquetéis Molotov em policiais, atiravam nas forças de segurança (só depois que 7 policiais ucranianos morreram fuzilados, numa mesma noite, é que a polícia revidou aos disparos), o que dias depois, culminou na derrubada de um presidente legitimamente eleito, sem direito à defesa ou a um processo de impeachment previsto na Constituição ucraniana. (Sim, pois se corrupção fosse pretexto para derrubar presidente eleito, não ficaria um no poder). Ainda mais quando a própria imprensa ocidental mostra que muitos desses manifestantes são neo-nazistas, xenófobos e antissemitas, como os da foto abaixo, nem escondendo suas bandeiras ucranianas com a suástica estilizada (Pesquisem sobre o Pravy Sektor.) De qualquer forma, antes de terem-no derrubado à força, o ex-presidente Yanukovitch já tinha aceitado indicar como primeiro-ministro qualquer pessoa da oposição, assim como para outros ministérios, bem como retornar à Constituição de 2004, que reduzia os poderes presidenciais e aumentava os do primeiro-ministro. Como as mortes e as manifestações não paravam, a diplomacia alemã havia conseguido um acordo para, mantidas as propostas anteriores, fossem marcadas novas eleições presidenciais para maio (o mandato dele terminaria em dezembro); os opositores haviam aceitado, mas no dia seguinte, voltaram atrás, quebraram a palavra, invadiram a sede do governo e derrubaram ilegalmente o presidente.
Tomando o poder, a primeira medida que os golpistas fizeram foi revogar a lei que autorizava a língua russa a ser utilizada na parte oriental do país, juntamente com outras 18 das minorias lingüísticas, sendo que na parte oriental do país a maioria populacional é russa. Essa medida é tão absurda que nem na época da URSS, inclusive nos anos de Stalin, havia qualquer impedimento ou restrição às centenas de línguas nacionais, inclusive nas escolas, onde eram ensinadas juntamente com o russo. (Ao contrário das “democracias” ocidentais que condenam suas línguas minoritárias à extinção). Mas não foi nada disso que levou o presidente Putin a mandar suas tropas tomarem posições na península (de maioria russa) da Criméia; os russos tiveram informações (repassadas inclusive ao governo espanhol), que assim que os manifestantes tomaram o poder, ofereceram aos Estados Unidos locais dentro da Ucrânia para instalação de bases de radares e baterias de mísseis do famoso "escudo antimíssil", em troca de ajuda econômica, o que como expus acima, é uma ameaça completa à segurança russa. (Ou seja, o que os americanos não admitiram em Cuba em 1962, querem que outros aceitem??) Assim, como desde 1993, a península da Criméia (de maioria russa) já havia declarado autonomia em relação à Ucrânia, e sempre manifestaram o desejo de retornar à Rússia, simplesmente juntou-se a fome com a vontade de comer, vejam o resultado do referendo realizado, sendo que, em que pesem as acusações do Ocidente (nenhuma comprovada nem mesmo por indícios de provas), o comparecimento às urnas não era obrigatório, e mesmo assim, a esmagadora maioria dos residentes da Criméia decidiu pela soberania russa na região. Lembrem que desde o século XVIII, a Criméia sempre foi russa, poucos calculam a quantidade de sangue russo que foi derramado na Guerra da Criméia em 1853/1854, contra turcos, franceses e ingleses, bem como contra os nazistas em 1942/1943, ocorrendo lá uma das batalhas mais épicas da 2ª Guerra Mundial. E foram os russos mesmos que deram o sangue lá, pois os ucranianos do oeste, lutavam pelos nazistas.
Apenas em 1954, o bêbado fanfarrão Nikita Khruschov (cujos pais eram ucranianos) cedeu a Criméia à República Socialista Soviética da Ucrânia, por mero capricho, pois inclusive, toda sua família era de origem ucraniana. Então, os hipócritas do Ocidente, ao derrubarem Yanukovitch, achavam que tinham colocado o Putin em “xeque”, mas com a movimentação na Criméia, Putin deu um verdadeiro “xeque-mate” neles. O ocidente pode até ter levado a Ucrânia para sua influência, assim como o fizeram em 2004, mas agora perderam um bom naco. Bases de mísseis táticos russos na Criméia, b
em como em Kaliningrado, anulam qualquer vantagem de sistemas antimísseis ocidentais instalados na Ucrânia continental. Pior do que isso, é ver o Secretário de Estado americano John Kerry falando que “você simplesmente não se comporta no século 21 como se estivesse no século 19, invadindo outro país com motivos completamente falsos”... Será que ele falou isto em 1999 quando os americanos invadiram e bombardearam a Iugoslávia para defender a “democracia” no Kosovo ou quando invadiram o Iraque em 2003, apenas para roubar o petróleo do Iraque, inventando aquela história de armas de destruição em massa? Ou seja, só os americanos podem defender seus interesses vitais e as suas áreas de influência? A democracia é aquela que só interessa quando algum aliado ou partidário deles vence??
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Incompetência militar da OTAN no Afeganistão
Não bastasse as notícias diárias de atentados, massacres e mortes entre a população civil afegã, consequência da ineficácia do governo fantoche e imaginário de Hamid Karzai, fruto da desastrosa política estratégica da OTAN, cresce a cada dia o número de baixas e mortes entre as tropas da OTAN.
Como é sabido, a razão deste organismo belicista existir cessou faz tempo. Os poucos cenários em que este formidável aparato militar poderia ser utilizado redunda em fracassos ou ineficácia.
O atual conflito constitui uma guerra de contra-insurgência, ou seja, uma guerra não linear, travada com as forças convencionais disputando os "corações e mentes" da população civil; enquanto as forças de elite (Forças de Propósitos Especiais e Forças de Operações Especiais) enfrentam as missões de "busca e destruição" do inimigo. Os guerrilheiros (ou insurgentes), por sua vez, tentam fomentar a insatisfação popular com o objetivo de criar um espírito de rejeição para com seus antagonistas.
Dada a dissimilaridade de ambas as forças, confrontos diretos são raros e, quando ocorrem, catastróficos para as forças irregulares.
Constatado o cenário militar, verifica-se que a atual estratégia e tática empregada pelo comando norte-americano da OTAN é ineficaz e fadada ao fracasso.
Não obstante a superabundância de meios e recursos, os militares da OTAN não conseguem tirar o menor proveito. Até a Rússia e outros países da região dão apoio ostensivo, desde facilidades em termos de logística à cooperação com serviços de inteligência. Além disso, os insurgentes não contam com o apoio de nenhuma potência ou poder relevante, no entanto as principais estruturas da Al Qaeda e do fundamentalismo islâmico ainda vicejam por toda a região.
A grande questão é que os ocidentais querem fazer guerra sem estarem preparados para morrer ou maiores sacrifícios. Acham que seus soldados, presumivelmente bem treinados e equipados estão aptos apenas a matar, aceitar as suas mortes é algo inconcebível, e mesmo quando morre um único soldado das forças ocidentais é motivo de notícia ou destaque.
Ocorre que para vencer, ou atingir os objetivos principais numa campanha como esta, faz-se necessário partir para o combate generalizado contra os insurgentes, como as tropas russas fizeram com êxito na segunda campanha na Chechênia. Os norte-americanos e países da OTAN não podem esperar vencer uma guerra de guerrilhas lançando bombas de aviões a quatro mil pés de altura.
A atual estratégia, de priorizar a mobilidade tática das unidades para atacarem em pontos previamente reconhecidos pelas forças especiais, atacando de forma "cirúrgica" e com aparentes poucos danos colaterais, enfim, economizando forças já se mostrou ineficiente e só arrasta esse conflito.
Há que mandar sim tropas regulares, com emprego maciço de viaturas blindadas e helicópteros de combate para caçar os guerrilheiros em seus esconderijos, cavernas e buracos. Certamente, muitas baixas ocorrerão entre as tropas da OTAN, assim como aconteceram com os nossos soldados na Chechênia, mas a situação foi controlada e definida.
Quando a URSS combateu os fundamentalistas islâmicos no Afeganistão, empregando as táticas acima citadas, ao contrário do que alega a imprensa e mídia ocidental, obtiam-se resultados militares bastante satisfatórios, mesmo com o mundo todo contra nós: vários países muçulmanos enviando militantes, armas e treinamentos oferecidos pelos americanos no Paquistão, e até a China oferecendo apoio e armas aos mujahedines.
Em comparação, mesmo com todo apoio mundial, e sem nenhum poder a apoiar os insurgentes do Taleban, a OTAN coleciona uma série de fracassos no Afeganistão e proximidades desde 2001.
Portanto, se querem vencer a guerra, reformulem as estratégias e comecem a lutar com coragem e persistência, empregando maciçamente as tropas e meios que dispõem para buscar e destruir os militantes em seus buracos, e não como se tudo fosse um mero vídeo game.
Game Over!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Israel x Palestina
Vários camaradas me perguntam, como que eu, sendo russo (e como imaginam os demais, sempre antissemitas e antiisraelitas) bem como oficial do que foi o Exército Vermelho posso ser a favor do Estado de Israel na questão palestina.
Eis meus argumentos:
Primeiramente, passei boa parte da minha vida combatendo terroristas muçulmanos, desde 1979 no Afeganistão até 2002 na Chechênia e posso garantir-lhes que são muito mais perigosos ou ameaçadores do que os judeus, Israael, os Estados Unidos, ou qualquer outro poder mundial.
Digo isso porque vivem para o ódio e a destruição, eles não estão nem aí para o sofrimento de seus povos, ou mesmo para reaver as terras que dizem pertencer-lhes, existem apenas para matar, odiar e destruir, tudo em nome de "Allah", como se qualquer Deus quisesse derramamento de sangue.
E o pior, é que na maioria das vezes, tais terroristas sempre visam o sangue de inocentes, fazendo pouco caso para a vida de crianças e outras pessoas indefesas.
Sobre a questão palestina, o fato que os judeus foram expulsos em cerca de 135 d.C. pelo imperador Adriano não lhes tira os direitos daquele território, até porque, não obstante a diáspora, não foram poucos os judeus que lá permaneceram.
Quando a ONU aprovou a criação do Estado de Israel, havia a divisão do território ora disputado em dois setores: um árabe e outro judeu. (Porção árabe esta que corresponde praticamente ao que eles pleiteiam hoje), contudo os árabes não concordaram, e imediatamente, em vez do debate e da discussão, já pegaram em armas para combater Israel, acreditando que seria fácil vários exércitos árabes regulares esmagarem um punhado de sobreviventes do holocausto, que sequer Exército ou armas tinha.
Inclusive, é fato histórico que os próprios árabes retiraram muitos palestinos que viviam em Israel pois diziam que seria uma vitória rápida e que voltariam até "lançarem todos os judeus no mar".
Os mesmos direitos que os palestinos reivindicam, Israel também os têm. Até porque, os Palestinos, verdade seja dita, não são originários daquelas terras, eles são oriundos na verdade, de Creta. (Nem árabes eles são, de comum com os árabes, somente a fé muçulmana). Equivoca-se quem diz que são descendentes diretos dos Filisteus mencionados na Bíblia.
Mas ninguém sério em Israel lhes nega o direito legítimo de ter seu Estado. Nem mesmo Sharon ou Bush. Não se esqueçam, que há poucos anos atrás, no governo de Ehud Barak, os israelenses já haviam concordado em devolver aos palestinos mais de 95% dos territórios reivindicados, o único óbice ainda era Jerusalém, mas quem dá 95% pode dar mais 5, não??
Contudo, os ataques terroristas prosseguiram. E chegou uma hora que os israelenses não agüentaram mais, e tiveram que optar pelo Likud, com Netanyahu, Sharon, etc.
Muitos não sabem, mas os israelenses nunca foram com a cara do General Sharon ou de Netanyahu, sempre consideravam-os muito arrogantes e presunçosos. Porém, sabiam que foi o primeiro quem salvou Israel da destruição em 1973, e não tiveram outra escolha a não ser eleger sua coalizão.
O que me chama a atenção também, é que no lado de Israel, há inúmeras pessoas e grupos que lutam pela paz e por políticas pró-palestinas (até mesmo dentro do Knesset), nomeadamente Shimon Peres, o grupo Shalom Akhshav (Paz agora!), etc. Todas essas Ong's que vocês vêem denunciando abusos cometidos contra os civis palestinos ou lutando por maiores direitos destes, são israelenses e integradas por israelenses.
O que me chama a atenção também, é que no lado de Israel, há inúmeras pessoas e grupos que lutam pela paz e por políticas pró-palestinas (até mesmo dentro do Knesset), nomeadamente Shimon Peres, o grupo Shalom Akhshav (Paz agora!), etc. Todas essas Ong's que vocês vêem denunciando abusos cometidos contra os civis palestinos ou lutando por maiores direitos destes, são israelenses e integradas por israelenses.
Uma pesquisa idônea do início de 2003, mostrava que mais de 70% dos israelenses são favoráveis à criação do Estado Palestino. Contudo, uma outra pesquisa divulgada na mesma ocasião, mostrou que mais de 80% dos palestinos eram favoráveis à continuidade de ataques terroristas contra civis israelenses.
Este fato é deveras relevante. Ilustra, o que já sabemos, enquanto que pelo lado israelense há quem fale pela paz, há quem lute e grite pela paz, e do lado palestino, quem se habilita?? O Qorei?? Do lado palestino só há radicais, extremistas, ninguém de peso que se interesse em dialogar. Enquanto que eu vi, no Knesset, deputados israelenses protestarem enfurecidamente contra a morte do terrorista Yassin.
Mais do que isso, Israel devolveu toda a Faixa de Gaza, e assim como os russos em 1996, ao se retirarem da Chechênia, o que ganharam em troca??
Ataques de mísseis diários!
Eu também discordo do que a imprensa mundial diz acerca do tratamento que os israelenses dispensam aos palestinos, considerando-os “cidadãos de 2ª classe”. Muito pelo contrário.
Estive lá em 1957 e pude testemunhar. Os palestinos viviam como animais. Sem moradias, água potável, os melhores viviam em lonas. As cidades e prédios que hoje vemos diariamente na TV, foram construídas com o dinheiro de Israel. O trabalho foi palestino, mas quem proporcionou os prédios, esgoto tratado, modernização na agricultura (doando-se até tratores) foram os israelenses.
Enquanto que os “brimos” dos palestinos, estes sim donos das maiores fortunas, os petro-dólares, deixaram (e deixam) sempre os palestinos à míngua. Só prestam assistência aos terroristas da Al Qaeda, Hezbollah ou Hamaz.
Outra coisa que me indigna, é que enquanto os israelenses (não obstante os estratosféricos gastos em defesa que as circunstâncias lhes obrigam, que inclusive está acabando com a economia de Israel) têm pesquisas científicas, pesquisam vacinas, fazem importantes descobertas tecnológicas para a humanidade, sempre divulgam novos tratamentos e instrumentos médicos, o que os árabes (agora digo os árabes como um todo) dão em troca para a humanidade?? Carros-bomba, homens-bomba, mulheres-bomba, meninos-bomba, bicicletas-bomba, etc...
(Desculpem, agora tem Dubai, mas essa maravilha é só para uns poucos privilegiados milionários...)
Alguém aqui conhece algum grande cientista ou vencedor de prêmio Nobel árabe??
O grande povo árabe, que tanto já contribuiu para a humanidade (mormente antes da radicalização do islamismo) deve despertar, e enxergar que seus maiores inimigos não são os Estados Unidos, a Rússia ou Israel, e sim seus governantes, ditaduras brutais e fanáticas, que não obstante os bilhões de petrodólares (sim, mais uma vez lhes digo, eles é que têm o dinheiro) obrigam seus povos a viverem na miséria, ignorância e no ódio desmedido a tudo que é ocidental, americano ou israelense. (Vai ver que é para lhes esquecer do limbo em que vivem...). Não investem nada em pesquisa, ciência ou tecnologia, em bem-estar para a humanidade.
Outra coisa: conheço muitas famílias judias israelenses. JAMAIS vi alguma criança israelense sendo criada para o ódio, não gosto de generalizar, mas já pelo lado árabe, percebemos que eles já educam suas crianças para o ódio desde tenra idade.
Vocês conhecem o exército de Israel. Sabem que é o mais bem treinado do mundo, e muito bem equipado. Sabem que Israel tem o mais formidável aparato de segurança integrada do mundo. Sabem que se quisessem, se os israelenses fossem estes “monstros cruéis e covardes” que tanto dizem, poderiam exterminar todos os palestinos da face daquelas terras em poucos minutos. Mas não o fazem. E se fosse o contrário?? Se fosse uma minoria judaica nas mãos de uma bem armada nação árabe ou muçulmana, vocês acham que eles hesitariam em destruir os judeus??
O Exército de Israel antes de destruir as casas dos terroristas, PEDE para que seus familiares se retirem do local. Isto é bárbaro?? Muitos dizem que sim. Mas vejam o que tivemos que fazer com os chechenos. Vejam se pedimos para saírem antes de destruirmos Grozny, Gudermes, Vedeno, etc. E muitos outros redutos terroristas.
Por isso, se eu tivesse no lugar dos palestinos, ergueria as mãos para os céus por ter inimigos tão piedosos e magnânimos assim.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
E o "Nabucco" sifu!!
Camaradas! Ao que tudo indica o "Nabucco" sifu!!
29/06/2009 - 16h55
29/06/2009 - 16h55
Acordo entre Rússia e Azerbaijão para gás aperta cerco à UE
Baku, 29 jun (Lusa) - A empresa russa Gazprom assinou nesta segunda-feira um contrato com a Companhia Pública de Petróleo do Azerbaijão (GNKAR) sobre o fornecimento de gás à Rússia, o que é visto como mais uma passo para inviabilizar a construção do gasoduto Nabucco.
Segundo as agências russas, "o documento, que fixa as condições fundamentais da aquisição de gás natural, foi assinado pelo diretor da Gazprom, Alexei Miller, e pelo dirigente da GNKAR, Rovnag Abdullaev, depois das conversações entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o seu homólogo azeri, Ilkham Aliev".
O contrato prevê o fornecimento de 500 milhões de metros cúbicos por ano a partir de 1° de janeiro de 2010, mas os fornecimentos deverão aumentar. "Planejamos, posteriormente, aumentar os fornecimentos de gás à medida que aumentarmos a extração de gás azeri", declarou o presidente Aliev. Segundo Aliev, o volume de extração de gás no Azerbaijão deverá subir de 27 bilhões de metros cúbicos em 2009 para 30 bilhões em 2010. "Hoje, lançamos uma boa base para a cooperação na esfera gasífera. Penso que será uma cooperação com muito êxito e mutuamente vantajosa", frisou.
A agência Ria-Novosti frisa que "até agora a Gazprom não comprava gás azeri". Segundo alguns analistas, este documento é mais uma das tentativas russas de neutralizar o projeto "Nabucco". Este gasoduto, que deverá ser financiado pela União Europeia, ligará a Ásia Central e a bacia do Mar Cáspio à Europa, ladeando o território russo.
Alguns analistas consideram que o acordo russo-azeri vem juntar-se ao interesse da Rússia em participar na construção do gasoduto Transsariano, que irá ligar a Nigéria à Europa através do deserto do Saara, como forma de controlar as fontes de fornecimento de gás à União Europeia. Durante a visita à Nigéria, realizada na semana passada, o presidente Medvedev declarou que a construção do Transsaariano "é um projeto interessante para a Rússia".
Porém, Boris Tumanov, analista do diário digital gazeta.ru, chama a atenção para as palavras de Alexei Miller, dirigente da Gazprom, durante a mesma visita."Tudo isso foi estragado por Alexei Miller, que, quase paralelamente ao presidente russo, preveniu a Europa das tentativas de diversificar as fontes de fornecimento de gás, porque, como ele explicou, isso pode deteriorar a sua segurança energética", considera o analista.
O analista defende que Moscou "simplesmente deseja controlar não só os recursos gasíferos turcomenos e azeris, mas também nigerianos". Os presidentes russo e azeri analisaram também o problema de Nagorno-Karabakh, enclave no território azeri com maioria da população armênia.Em 1989, Nagorno-Karabakh proclamou a independência em relação ao Azerbaijão, provocando uma longa guerra entre azeris e armênios. Em 1994, o conflito foi congelado, mas ainda não foi encontrada solução até hoje.
Comentários do General Orlov:
Mais uma importante vitória geopolítica da Mãe-Rússia. O país precisa conservar seu status de potência energética. Sobre os interesses russos na África, ilustrados na semana passada durante visita do presidente Medvedev ao continente, estão certos os africanos de cooperarem novamente com os russos, pois ao contrário dos países da União Européia, jamais a Rússia pilhou, saqueou ou retalhou o continente africano.
Tais fatos não devem ser esquecidos, mesmo nas relações comerciais.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Quem mente mais sobre a Chechênia
A uma primeira vista muitas pessoas costumam comparar a presença de tropas russas na Chechênia com a invasão americana no Iraque, ou com qualquer outra intervenção colonialista ao estilo dos hoje "democráticos" e exemplares países da Europa Ocidental.
Mas é um sério engano! O Iraque foi invadido ilegalmente por um país estrangeiro, que ludibriou a todos com o único intuito de roubar o petróleo do Iraque. Na Chechênia, os russos lutam por sua integridade territorial, e contra um dos maiores focos de terrorismo internacional. Será muito extenso, mas entrarei em aspectos históricos e outros detalhes que não são noticiados na imprensa internacional (sempre anti-russa), muito menos no Kavkaz Center.
Vamos aos fatos: os muçulmanos não têm legitimidade alguma para intentar a independência daquela região do Norte do Cáucaso, outro povo (os kabardos) já vivia lá muito antes deles chegarem da Turquia, e os kabardos viviam sob a proteção do Tzar. Ainda no século XVI, o príncipe da Kabarda jurou lealdade ao Czar por duas vezes, em troca de proteção. Então, só no século XVIII chegaram os primeiros muçulmanos, liquidaram os Kabardos (que viviam às margens do rio Terek) e expulsaram os sobreviventes, para a região próxima que hoje leva o nome de Kabardino-Balkária. Mesmo assim, se o argumento é que os russos ao longo da história foram cruéis com os chechenos, por isso merecem que seu território seja livre, então será que todo o povo brasileiro devem abandonar o Brasil e devolver tudo para o que resta dos índios, povo que seus antepassados por séculos massacraram??
Aí, já há um dado a considerar: todas as 157 etnias que integram a Federação Russa (inclusive os eslavos) sempre sofreram (em todos os regimes), e se de fato, um extermínio fosse intentado única e exclusivamente contra os chechenos, ou se os russos fossem essas bestas-feras homicidas como a imprensa ocidental quer crer, não haveria hoje (mesmo depois de dois grandes conflitos recentes) mais de 1 milhão de chechenos vivendo no Cáucaso, nem 250.000 chechenos vivendo só em Moscou.
Antes mesmo da Perestroika, havia plena liberdade de fé e cultura para esse povo. Inclusive, a língua chechena, o ichkeri sempre foi ensinada juntamente com o russo em todas as escolas. Sobre o petróleo, este não é o âmago da questão. A quantia existente lá no Cáucaso é irrisória se comparada ao que há no Mar Cáspio ou na Sibéria. De fato, a questão central, que a região deve permanecer na Federação Russa, é que se esta se achar no direito de declarar a independência, as outras 88 regiões administrativas ou repúblicas autônomas farão o mesmo. Aí sim, será a realização do sonho que muitos no ocidente acalentam: o fim da Rússia. Tudo o que não fazia parte da Rússia, foi desmembrado em 1991.
Mesmo assim, nos termos da Constituição Russa, uma República Autônoma (como a Chechênia) goza de ampla liberdade e autonomia econômica. (Mais até que os estados brasileiros). E inclusive, atualmente, discutem-se aumentar mais ainda essa autonomia econômica.
E mais: não esqueçam do que aconteceu lá entre 1996 e 1999, quando a Chechênia obteve uma independência de fato: conseguiram a proeza de fazer um Estado pior que o resto da Federação, àquela época de instabilidade e turbulências. Instituiu-se a Sharya. Foi proibido o estudo, só se permitia o estudo religioso, todo e qualquer tipo de lazer foi proibido, meios de comunicação, total submissão da mulher, além disso, a ESCRAVIDÃO era algo corriqueiro (até recentemente as tropas do Ministério do Interior libertam centenas de pessoas que tinham que fazer trabalho escravo), seqüestros, (inclusive de médicos da Cruz Vermelha, como um brasileiro, lembram?), execuções e mutilações sumárias, que inclusive eram filmadas e difundidas pela web pelos terroristas ,tráfico de drogas e extorsões. Tudo isso sob a tutela de Aslan Maskhadov. (que foi morto em março de 2005). Até que a presença de seus milhares de mujahedines armados começaram a desestabilizar toda a região. Assim, desde 1998, o Governo russo insistia incessantemente para Maskhadov tomar providências, mas este nada fazia. Até fortalecia esses movimentos.
Então, em agosto de 1999, quando não satisfeitos com sua independência quiseram “libertar” a RA vizinha do Daguestão, os russos tiveram que retornar à Chechênia, e o Maskhadov (cuja eleição em 1997 havia sido reconhecida por Moscou, e o Ieltsin até o cumprimentou) foi deslegitimado do poder. Foi esse cara quem trouxe a guerra e a destruição de volta à Chechênia. Ele tinha a faca e o queijo na mão. Quando assinou o Tratado de Khassaviurt em junho de 96, eles tinham conseguido tudo o que queriam: a retirada das tropas russas (que foram humilhadas nesse primeiro e desastroso conflito) e a plena independência (embora o status só fosse ser discutido no ano 2000).
Vejam bem, não satisfeitos com o novo "emirado", os extremistas continuaram com incursões armadas em todo o Cáucaso, arregimentando novos quadros e desestabilizando toda a região. Assim, como disse, desde 98, o Ministério do Interior Russo requeria que o Governo de Maskhadov tomasse providências, mas este nada fazia (até dava apoio aos extremistas). Então, em julho de 99, uma incursão em massa de guerrilheiros partiu da Chechênia para "libertar" a RA vizinha do Daguestão. Foi somente aí, repito, (e não só em decorrência dos atentados em Moscou), que os russos reocuparam novamente a região.
As montanhas do Cáucaso, que até há pouco tempo eram testemunhas da indigência e incompetência do exército russo, agora testemunhavam a determinação de Moscou em acabar com o separatismo: cidade por cidade, do Daguestão até a capital chechena Grozny caíam sob o domínio russo, pela primeira vez desde muito tempo o Exército russo surrava alguém. Os próprios sites dos extremistas (como o Kavkaz Center) diziam que em 1999 eles tinham mais de 25000 guerrilheiros fortemente armados para se defender da agressão dos russos, contudo, em 2003, os próprios sites indicavam a presença de somente 3000 combatentes escondidos nas montanhas. Só para comparação, as FARC têm cerca de 30.000 guerrilheiros, e mesmo com todo o apoio e presença americana, ainda ocupam cerca de 1/3 do território da Colômbia há cerca de 40 anos.
Também não deve ser esquecido que, em 2003, a Constituição republicana que previa que a RA da Chechênia continuaria a permanecer na Federação Russa foi referendada por mais de 80% do povo checheno; isto é uma prova evidente que o próprio povo checheno rejeita o separatismo e quer permanecer na Federação Russa. Até porque, se assim não o fosse, iriam ter expulsado os russos de lá assim como fizeram em 96. Digo mais: quando foi a realização deste referendo e das eleições presidenciais, o povo checheno ainda tinha mais um poderoso motivo para sequer comparecer: os próprios rebeldes ameaçaram os postos eleitorais e quem fosse voltar. Mesmo assim, o povo checheno em massa deu a sua resposta.
Eu mesmo constatei, que foi o extremismo islâmico que acabou com o sentimento ou legitimidade de independência dos chechenos. Muitos eram wahabbistas. E desde 1995, o Congresso Muçulmano Russo rejeita o separatismo. (Não esqueçam, só na Rússia vivem mais de 20 milhões de muçulmanos.)
Se há crimes, abusos ou outras injustiças cometidas pelos russos, mas em que guerra ou conflito essas tragédias não ocorrem? O fato, é que, quem começou esta atual guerra não foram os russos. Ou vocês acham que a primeira guerra foi um “passeio”para os russos, que eles reocuparam a Chechênia porque não tinham outra coisa melhor pra fazer, ou sobrava dinheiro para uma operação tão perigosa como essa (como os russos sentiram amargamente em 94-96)???
Então, por mais que vocês não queiram aceitar, na Chechênia a Rússia luta pelo seu próprio território, e a favor dos interesses do povo checheno. Mas esses fatos vocês jamais lerão em qualquer artigo em revistas, jornais ou televisão. Para a imprensa e respectivos governos ocidentais, o interessante é ver a Rússia dividida, enfraquecida e humilhada. Por isso nunca mostram esse lado da moeda. Então quem se coloca a favor da independência chechena, além de tomar partido em uma situação que sequer conhecem, está fazendo exatamente o que governos como o dos EUA, União Européia e Inglaterra (que além de negar a extradição, ainda concede asilo a terroristas (como Zakayev) ou criminosos russos (como o dono da MSI e patrão do Kia, o Boris Berezovsky) querem: que a Rússia fique cada vez mais dividida e enfraquecida. Ou vocês acham que mesmo com toda essa conversa vazia de “aliados” e "coalizão antiterrorista" (que os próprios americanos destruíram ao invadir o Iraque), os EUA querem que a Rússia se recupere ou se fortaleça?
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